Os sais aromáticos são inalantes vendidos sem prescrição, geralmente à base de amônia e outros compostos químicos. Ao serem aspirados, irritam as vias nasais e respiratórias, provocando um reflexo involuntário de inspiração e uma sensação momentânea de prontidão.
Segundo o relato, o fisiologista Mark Kovacs avalia que muitos atletas procuram justamente essa elevação rápida do estado de alerta, da agressividade ou da disposição mental. O cirurgião esportivo Tony Wanich, porém, considera que há pouca ou nenhuma evidência de uma vantagem esportiva mensurável.
No futebol, a dúvida é ainda maior. A modalidade exige sprints repetidos, decisões rápidas, controle emocional, técnica e resistência durante mais de 90 minutos. Um estímulo breve pode mudar a percepção do jogador, mas não necessariamente melhorar sua execução ou sua capacidade física.
É por isso que os sais parecem funcionar mais como um ritual pré-jogo. A sensação de estar preparado pode fortalecer a confiança, embora não substitua aquecimento, concentração, recuperação ou preparação tática.
A controvérsia cresce quando entram em cena possíveis consequências médicas. Especialistas citados no relato alertam que os inalantes podem mascarar sintomas de concussão, fazendo um atleta parecer mais alerta do que realmente está. O reflexo provocado também pode lançar cabeça e pescoço para trás, uma preocupação adicional diante de uma lesão cervical.
O uso repetido ainda pode causar tolerância, irritação e até queimaduras nas vias aéreas. Com grandes torneios no horizonte, clubes e seleções deverão avaliar se esse costume é apenas uma rotina psicológica inofensiva - ou um risco desnecessário disfarçado de preparação.